Pequenos olhos assustados esforçavam-se para tentar distinguir alguma forma em meio à escuridão do cômodo empoeirado, mas aquela era uma batalha inútil. Abraçada aos joelhos, encolhida junto à parede, Maysie Jane Granger tinha o rosto delicado lavado por grossas lágrimas, porém não ousava emitir nenhum som.
Não sabia ao certo quanto tempo se passara desde que a mulher má a trancara ali; Seu pequeno coração lutava desesperadamente contra o medo que já começava a dominar por completo a mente infantil. Temia ser machucada, mas temia mais ainda não voltar a ver sua mãe.
Silenciosamente, implorava para que sua mãe viesse buscá-la, quando um estrondo a despertou. A porta se abriu bruscamente, revelando uma mulher completamente descomposta, que caminhava em sua direção com um olhar transtornado. Novamente foi invadida pelo medo e encolheu-se ainda mais, atendendo seus instintos de defesa.
-Venha filhinha! Vem com a mamãe! - ordenou Pansy segurando a menina pelo braço.
-Não! Você não é minha mãe! E eu não vou com você! - respondeu a menina reagindo finalmente.
-Você agora é minha e só minha! Eu serei sua mãe! - berrou Pansy apertando ainda mais o braço da criança e afazendo gemer pela dor.
- Minha mãe é Hermione Granger e não você! - respondeu a menina enfurecendo ainda mais a bruxa.
- Argh! Criança sangue-ruim idiota! Se não quer ser minha filha, pior pra você! Vai ficar trancada para sempre nesse quarto! Isso… Eu posso fazer isso… - falou enquanto seu olhar se perdia.
-Não! - choramingou Maysie diante da cruel idéia.
-Adeus, sangue-ruim! Ficará sozinha para sempre! - falou Pansy enquanto trancava novamente a porta, impondo novas horas de escuridão à garotinha que neste momento, se permitiu chorar.
As lágrimas de Maysie lhe caiam pela face quase que no mesmo ritmo das lágrimas que marcavam o rosto de sua mãe. Hermione sentia o peito comprimido e uma imensa dificuldade de respirar diante da ausência de notícias sobre o paradeiro de sua filhinha. Se alguém lhe pedisse que descrevesse o que sentia naquele momento, ela certamente não seria capaz. Ninguém, nem mesmo Draco poderia avaliar o tamanho da sua dor.
Culpava-se por não ter sido mais rápida e reagido ao feitiço que lhe atingiu. Culpava-se por ter falhado em proteger seu bem mais precioso e agora estava disposta a tudo para reparar essa falha. As horas passavam e ela já não estava disposta a esperar. Sem pensar em mais nada, jogou longe o lençol que cobria se corpo e deixou a confortável cama onde se recuperava, preparando-se para partir.
-Hermione! Não deve se levantar! Você ainda está muito fraca! - advertiu Luna.
-Vou buscar minha filha, Luna! - afirmou Hermione decidida.
-Mi, Rony, Harry e Draco estão vasculhando tudo à procura de Maysie! Eles vão encontrá-la! - tentou consolar a amiga.
- Calma, Mi! Vai dar tudo certo! - Gina interferiu tentando dar ânimo à Hermione.
-Eles não estão procurando no lugar certo, Luna! Somente uma pessoa poderia fazer uma maldade como essa!
-Parkinson. - falou Luna baixinho.
-Já vasculharam o apartamento dela e não encontraram nada! - afirmou Gina.
- Eu sei que foi ela! E vou encontrá-la! - disse Hermione deixando o quarto.
Enquanto isso, reunidos na sala da nova mansão Malfoy, três rapazes permaneciam reunidos traçando um novo plano de buscas. Nas últimas duas horas, haviam entrado em contato com o Ministério da Magia e mobilizado um imenso número de bruxos que percorriam Londres em busca de qualquer pista sobre o paradeiro de Maysie.
Impaciente, Draco caminhava de um lado para o outro, quando foi surpreendido com a presença de Hermione. Ela não devia estar ali. Ver a dor que carregava refletida em seus olhos castanhos fez com que Draco se contorcesse por dentro. Daria qualquer coisa para ter sua filha de volta e aliviar o sofrimento da mulher que amava.
-Você deve voltar lá para cima e descansar! - afirmou Draco se aproximando.
-Não ouse me dizer uma coisa dessas enquanto minha filhinha está nas mãos de uma psicopata perigosa! - falou Hermione sem paciência.
-Ela também é minha filha! - alterou-se o loiro.
-Pois então venha comigo buscá-la! - revidou a castanha. - Vou revirar o mundo inteiro se for preciso, mas encontrarei aquela maldita que roubou minha filha!
-O quê está falando, Mione? - questionou Rony.
-Somente uma pessoa poderia me desejar tanto mal! - respondeu a moça tornando óbvia sua suspeita.
- Já revistamos o apartamento dela e não encontramos absolutamente nada, Mi! - explicou Rony num tom de lamentação, frustrando os planos de Hermione.
- Vocês revistaram o apartamento, mas talvez eu devesse tentar! - disse Luna que acabava de entrar na sala, recebendo um imediato olhar de agradecimento de Hermione.
Luna havia sempre havia demonstrado uma sensibilidade incomum e ao longo dos anos havia aprimorado esse talento. E se isso poderia acalmar um pouco Hermione, ninguém se negaria a realizar uma nova busca no apartamento da sonserina. Aparataram no local, no entanto, o grupo não estava completo. Gina permanecia na Mansão, tendo em vista que, em seu atual estado não seria prudente correr riscos e, além disso, era necessário alguém de confiança, caso o seqüestrador fizesse contato.
Não era uma área muito grande. Após perder a mesada dos Malfoys, Pansy se viu obrigada a procurar uma moradia bem mais modesta do que estava acostumada.
Eram apenas dois quartos, uma cozinha e uma pequena sala e de fato não havia nada de suspeito no local, porém ao se aproximar da cama, Luna reviveu em sua mente uma cena do passado que um dia lhe feriu profundamente.
Pansy Parkinson era capaz de tudo para conseguir o dinheiro de Draco Malfoy, no entanto, o único sentimento verdadeiro que conheceu foi dedicado a Rony Weasley e essa lembrança parecia muito viva naquele ambiente. Ainda com os olhos cheios de lágrimas, Luna proferiu um feitiço simples para fazer a cama desaparecer e pôs-se a analisar o velho tablado de madeira.
Aparentemente não havia nada de errado, mas a moça começou a se mover testando as tábuas de madeira sobre seus pés até encontrar uma delas parcialmente solta. Sem pensar em mais nada, chamou os outros, compartilhando sua descoberta. Uma velha camiseta branca e um pequeno caderno de anotações revelavam bem mais do que precisavam saber.
Enquanto isso, cada vez mais angustiada com a ausência de notícias, Gina Potter lembrou-se de uma pessoa que certamente poderia ajudar. Não sabia se essa idéia seria bem recebida pelos outros, mas sabia que não podia continuar inerte diante do desaparecimento de sua afilhada e por isso enviou um bilhete comunicando a situação ao seu antigo professor de poções.
Severo Snape preparava-se para jantar na companhia de Narcisa Malfoy quando recebeu um chamado de emergência à nova mansão Malfoy e não reconhecendo a caligrafia de seu pupilo, decidiu averiguar a questão. Inicialmente, resolveu que devia partir sozinho, mas a menor referência ao nome Malfoy, fez com que Narcisa se mostrasse irredutível na idéia de acompanhá-lo.
- Virgínia Weasley! O que faz aqui? Onde está meu filho? - perguntou Narcisa aflita logo que aparatou na mansão.
- Agora é Potter, senhora! - respondeu Gina.
-A que crise exatamente a senhora se referia em seu bilhete? - quis saber Snape.
-Maysie foi seqüestrada esta manhã e temos razões para acreditar que Pansy Parkinson é a responsável por isso! Pedi sua ajuda na esperança que pudesse nos dar qualquer pista! - explicou Gina tomada pelo nervosismo, enquanto Narcisa se desesperava.
-Minha neta? Alguém ousou seqüestrar minha neta? - falava a mulher descontrolada.
-Sim, senhora! A senhora faz alguma idéia do paradeiro de Pansy Parkinson? - perguntou Gina ansiosa. Se havia alguém que pudesse indicar uma direção sobre a ex-sonserina, esse alguém certamente era Narcisa.
- Pansy? Por que Pansy faria uma coisa dessas? - perguntou incrédula.
-Ora, Narcisa não comece! Sabe que aquela mulher é uma despeitada que odeia Draco e Hermione! È claro que ela seria capaz de seqüestrar a menina! Quando pretende parar defendê-la? - perguntou Snape raivoso.
-E-eu não quis defendê-la, apenas não pensei que ela pudesse chegar tão longe… - tentou se justificar. - Eu não sei muito sobre Pansy! Antes de ir embora ela mencionou algo sobre o pai.
-Acha que ela poderia ter buscado abrigo na antiga residência dos Parkinsons? - questionou a ruiva.
-Não… A casa seria um ponto óbvio demais, porém outra propriedade seria possível! - afirmou Snape. - Vamos Narcisa, você os conhecia bem! Tente se lembrar de algo!
- Eu n-não sei! Faz muito tempo! - falou a mulher buscando espaço para respirar.
- Narcisa, Hermione está desesperada! Ela e Draco estão sofrendo muito… -começou Gina, enquanto Narcisa esforçava-se para lembrar-se de algo relevante.
Longe dali, Draco permanecia atônito diante das anotações feitas em um pequeno caderno de capa negra. Não era um diário, tão pouco um planejamento. Na verdade, mais parecia uma agenda escolar, com horários e tarefas a serem cumpridos ao longo da semana. Em alguns pontos seu nome aparecia rabiscado ao lado de objetos, em outros momentos encontravam-se ofensas aos grifinórios e especialmente a Ronald Weasley. Pansy parecia confusa entre a idéia de amá-lo ou odiá-lo.
Impaciente, Hermione acabou por tomar o caderno das mãos do rapaz, passando a analisar as últimas páginas de anotações. Ali ficava bastante claro que Pansy pretendia usar Maysie para conseguir dinheiro e depois livrar-se dela, castigando para sempre Hermione Granger.
Ao ler palavras tão cruéis, Hermione sentiu-se mal; As pernas lhe faltaram e Rony foi obrigado a segurá-la para evitar que caísse no chão. Depois daquilo, já não havia mais qualquer dúvida sobre a autoria daquele crime hediondo. Restava, contudo, descobrir para onde Pansy poderia ter levado Maysie.
Sem qualquer pista, o grupo não teve qualquer opção senão alertar as autoridades sobre Parkinson e retornar à Mansão para aguardar o contato. O grupo aparatou na sala ainda semi mobiliada e acabou por ser surpreendido pela presença de Narcisa e Snape.
-Filho! - chamou Narcisa caminhando em direção à Draco.
-O que faz aqui? - perguntou o loiro seco.
-Não me trate dessa maneira, Draco! Sei que está sofrendo e estou aqui para ajudá-los! - afirmou a mulher. - Hermione, eu sinto muito! Mas eu garanto que vamos encontrá-la logo!
Hermione não conseguiu responder, apenas lançou um olhar de gratidão. Estava consciente de que embora Draco não admitisse, sentia muita falta da mãe e o apoio de Narcisa naquele momento era muito importante para ele.
Por mais complicada que fosse a situação, Severo Snape sabia que não era o momento de resolver os problemas entre Draco e Narcisa e por isso, procurou Harry e Rony para se informar de todos os detalhes e acabou sendo surpreendido pelas anotações de Pansy. Ao ler as palavras aparentemente sem nexo, o professor se deu conta de algo que havia passado despercebido aos outros: de algum modo, a mente de Pansy havia regressado a época escolar.
- Draco! Preciso falar com você! - declarou Snape, atraindo a atenção do sonserino e de Hermione de imediato. - Preciso que pense com muito cuidado… Tenho motivos para crer que Pansy Parkinson acredita ainda estar em Hogwarts.
-O quê? Como assim em Hogwarts? Ela jamais poderia entrar na escola sem permissão, muito menos levando Maysie! - afirmou Hermione nervosa.
-A mente dela está perturbada e ela oscila entre a fantasia e a realidade, senhorita Granger. Sabemos que ela não está em Hogwarts e nem nas propriedades que pertenceram à família Parkinson no passado, porém ela deve ter algum outro esconderijo! Vamos Draco, pense! Onde mais os sonserinos se reuniam? - questionou Snape, fazendo com que uma brilhante luz se ascendesse na mente do rapaz.
-Eu acho que sei aonde ela pode estar… Ela está em Hogsmead! - afirmou o rapaz.
-Hogsmead? - questionou Harry.
-Sim, vamos para a casa dos gritos! - afirmou Draco preparando-se para partir novamente.
-Lumus! - disse Rony iluminando o local dominado pela escuridão. - Acho que devemos nos dividir para vasculhar a casa! Luna e eu vamos pela direita! Harry você pode checar os fundos, enquanto os outros procuram no andar de cima! - definiu o ruivo.
Assim, Draco e Hermione seguiram na companhia de Severo e Narcisa para o andar de cima. A cada passo o coração de Hermione oscilava entre o medo e a esperança. Nos três primeiros cômodos que procuraram, não haviam encontrado nada além de móveis velhos e poeira, mas ao empurrar a quarta porta, Draco teve uma grande surpresa.
- Draquinho! Como você demorou??? - disse Pansy com um imenso sorriso, caminhando em direção ao rapaz. - Olha, fiz todo o seu trabalho de DCAT. Está perfeito! Com certeza vai tirar um “A”! - afirmou a moça que vestia um velho uniforme com o símbolo da sonserina.
-Onde está minha filha, sua víbora? - disse Hermione partindo para cima de Pansy, que começou a gargalhar freneticamente. -Fale! Diga onde está minha filha! - exigia Hermione transtornada estrangulando Pansy com as mãos, enquanto a sonserina não esboçava qualquer reação.
- Narcisa, tire Hermione daqui! - ordenou Snape, sendo prontamente obedecido. Ainda que sobre protestos, Hermione caminhou com Narcisa até o corredor, onde trêmula Hermione acabou por desmoronar de vez.
- Ela está completamente louca! E não está com minha filha! Ela não está lá! - repetia Hermione aos prantos, partindo o coração de Narcisa, que naquele momento odiou Pansy Parkinson com todas as suas forças.
Ainda no cômodo, Draco já não suportava ouvir a voz aguda e irritante da ex-namorada, que falava sem parar sobre aulas, festas e bailes do passado. Encontrava-se a ponto de lançar uma maldição imperdoável na garota, quando a voz de Severo o trouxe de volta à realidade.
-Draco, você sabe o que fazer… - afirmou o professor, fazendo com que Draco despertasse e imediatamente começasse a vasculhar a mente doente de Pansy em busca de informações sobre Maysie. Em meio a um turbilhão de coisas sem qualquer nexo, Draco encontrou em meio às lembranças recentes da moça, o momento em que discutia e ameaçava a criança, sendo tomado por um imenso ódio, mas auxiliado por Snape continuou sua busca, deixando a idéia de vingança para mais tarde.
Com a ajuda de Narcisa, Hermione desceu as escadas ainda com alguma esperança de que os outros houvessem encontrado alguma pista, mas o lugar parecia vazio.
-Espere aqui, Hermione! Vou procurar saber se encontraram alguma pista - disse Narcisa, para a moça que se consumia em desespero e já não tinha forças para nada.
Os corredores escuros e empoeirados estavam completamente vazios. Ao longe Narcisa escutou a vozes de Rony e Luna que chamavam pelo nome de sua neta, porém ela ainda não podia vê-los. Caminhando apressadamente, a mulher acabou por tropeçar em um velho tapete. Ainda praguejando, chutou a tapeçaria desgastada para longe e acabou sendo surpreendida pelo que parecia ser um porão.
A ansiedade tomava conta de cada célula de seu corpo, enquanto proferia um feitiço e abria o compartimento. Sentia em seu coração que a menina estava ali, mas o silêncio absoluto contrastava com essa idéia. Mas desprezando a razão e seguindo apenas sua intuição, ela seguiu iluminando o lugar até finalmente encontrar uma garotinha encolhida junto à parede.
Por um momento a respiração lhe faltou e lágrimas de alegria lhe brotaram nos olhos. Aproximou-se devagar, temendo assustar ainda mais a pequena. Não podia se esquecer que para Maysie ela ainda era uma estranha, mas a euforia prejudicava a cautela e sem poder esperar mais, ela se abaixou para encontrar os olhos azuis da neta.
-Maysie! Oh meu anjo, não precisa ter medo de mim! Eu sou a vovó Narcisa e vim aqui com seus pais para buscá-la! Logo estaremos em casa e tudo vai ficar bem! - falou a mulher com a voz trêmula.
- Eu quero minha mãe! - choramingou a menina.
-Sua mãe está lá em cima, esperando você! Venha comigo meu amor! - falou Narcisa com o sorriso terno ganhando confiança da menina. - Venha! - repetiu estendendo os braços para a garotinha.
Maysie não conhecia Narcisa, mas de alguma forma conhecia aquele olhar e por isso acreditou quando a mulher lhe prometeu que a levaria até sua mãe, deixando assim, que ela a levasse.
- Pronto, querida! Vamos encontrar sua mãe e seu pai! - dizia Narcisa emocionada em poder abraçar a neta pela primeira vez.
Logo que deixou o porão com a menina nos braços, Narcisa avistou Draco seguido por Hermione. Aquele foi realmente um momento único. Hermione abraçava a filha junto ao seu corpo, enquanto lágrimas corriam sua face. Draco por sua vez, também não foi capaz de se conter e por alguns minutos permitiu externar através de lágrimas todo o horror que havia dominado seu coração durante as últimas horas.
Enquanto todos respiravam aliviados, Luna se ocupou em comunicar as boas notícias à Gina e as autoridades, enquanto Harry e Rony tratavam do destino de Pansy. Estava claro que a sonserina não respondia por si e que se transformara em um risco para si mesma e para a sociedade, de modo que sua única opção seria o recolhimento definitivo a uma instituição psiquiátrica.
Enquanto era colocada em uma camisa de força Pansy alternava gargalhadas com insultos à Hermione Granger e seus amigos grifinórios. Era uma cena lastimável. A certa altura, porém, os olhos negros da morena encontraram os olhos azuis de Rony e neste instante, sua expressão se converteu em uma profunda tristeza, evidenciada por grossas lágrimas. Era o fim da linha para Pansy Parkinson.
Horas depois, reunidos na nova mansão Malfoy, o clima era de alívio e comemoração. Durante vários minutos, todos quiseram abraçar e beijar Maysie, que apesar de toda a angústia, parecia satisfeita em receber tantos mimos. Hermione relutou bastante em sair do lado da menina, que esgotada, acabou por adormecer em meio a toda agitação.
Felizmente a moça entrou na sala a tempo de presenciar Draco se reconciliar com a mãe e finalmente livrar-se de um imenso peso que carregava em seu coração. Emocionada, Narcisa abraçava o filho, enquanto trocava um olhar cúmplice com Severo Snape. Embora ambos fossem muito discretos, todos compreendiam que haviam se tornado muito próximos nos últimos meses e o resultado parecia ter sido extremamente benéfico para ambos.
Pouco a pouco todos foram se retirando, com o propósito de deixar que Draco e Hermione pudessem descansar. Contudo, após tamanha tensão e euforia era impossível pensar em dormir. Subiram as escadas de mãos dadas e encaminharam-se para o quarto onde Maysie dormia tranquilamente.
Draco lançou um olhar de profunda ternura para a menina que já havia dominado seu coração por completo, para em seguida se aproximar de Hermione, lembrando-se que uma missão importante ainda estava por ser cumprida.
-Hermione… - ele chamou baixinho, atraindo a atenção da moça, enquanto tocava uma pequena caixa de veludo oculta em seu bolso. - Eu amo você! Sempre amei e ver Maysie, é a concretização perfeita desse sentimento. Eu jamais poderei agradecê-la por ter me dado esse presente. Vocês duas são a minha vida! São tudo para mim!
- Eu também te amo, Draco! E Maysie também o ama… - começou Hermione passando sua mão macia pela face do rapaz.
-Sabe, eu tinha planejado fazer isso de outra maneira! Fechar o melhor restaurante da cidade, contratar músicos, encher o ambiente de flores… Mas compreendi que bens materiais não valem nada diante dos sentimentos e das pessoas. Eu não suportaria se algo tivesse acontecido a você ou a nossa garotinha! Tudo o que quero é estar com vocês a cada dia, amando-as e protegendo-as e por isso peço que me aceite! - disse o loiro revelando a caixinha e seu conteúdo.
Luz da minha vida
Pedra de alquimia
Tudo o que eu queria
Renascer das cinzas…
-Case-se comigo! - pediu com a voz embargada pela emoção, surpreendendo Hermione.
- Draco, eu… - começou a garota emocionada, enquanto observava Draco colocar a belíssima jóia em seu dedo. Aquele era o momento com o qual sempre sonhara e esperara durante anos.
Ainda que as palavras morressem em sua garganta; E ainda que seu corpo estivesse torturado pelo cansaço após um dia tão difícil, Hermione sentiu sua alma ser invadida por uma imensa alegria e isso se refletiu em seus olhos e em seu sorriso. Simplesmente abraçou Draco como se pretendesse envolve-lo com todo o amor que sentia e sussurrou: - “Sim!”.
Quando o frio vem
Nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
A luz da escuridão
E a dor revela a mais
Esplêndida emoção… O amor!
O comunicado daquele casamento não surpreendeu a ninguém, porém a data escolhida sim. Draco não desejava esperar nem mais um minuto e teria se casado na manhã seguinte á noite em que Hermione aceitou seu pedido; Mas para ela as coisas não podiam ser assim. Mais do que tempo para organizar a cerimônia, ela desejava tempo para que Maysie se adaptasse as mudanças. Tudo estava acontecendo depressa demais e era necessário ver como a pequena reagia.
A notícia do casamento havia sido como um verdadeiro presente para a menina; Mas a notícia da mudança de casa, não. Minerva procurava não demonstrar, mas também estava abalada com a idéia de Hermione e sua neta deixarem a residência McGonagall. Draco interferiu garantindo a Minerva que ela seria bem-vinda a qualquer tempo na mansão Malfoy e prometeu à filha que nada mudaria em relação à vovó Minnie.
Outro ponto importante, é que embora já tivessem um elo sólido, Draco ainda não havia tido oportunidade de atuar como pai em tempo integral, assumindo sua autoridade e poder de direção sobre Maysie; E para solucionar essa situação, era necessário tempo e a prática.
Era domingo, quando Hermione se despediu da filha, explicando que iria ao Beco Diagonal com a vovó Minnie e que ela passaria o dia apenas com o papai. Maysie costumava ser muito obediente, no entanto uma contestadora por natureza.
-Eu vou ficar sozinha com o papai? Mas e se eu precisar de você? - questionou a pequena.
- Não se preocupe, meu amor! Estarei de volta no final da tarde! Até lá, quero que seja uma boa menina e cuide do papai para mim, está bem? - pediu Hermione, fazendo com que Maysie se sentisse muito importante.
-Amo você! - disse a castanha, dando um beijinho na menina antes de partir.
- Tchau, mãe! - disse a garotinha acenando.
Despedindo-se da mãe, Maysie decidiu que começaria imediatamente sua missão de “cuidar do papai” e se dirigiu ao quarto de Hermione, onde Draco ainda dormia. Nas últimas semanas, todos haviam se acostumado com a presença do senhor Malfoy pela casa, especialmente Maysie que se sentia imensamente feliz por agora poder ter o pai e a mãe ao mesmo tempo.
Draco dormia tranqüilo quando sentiu pequenas mãos macias tocarem sua pele. Despertou quase que de imediato, mas permaneceu de olhos fechados, incitando a filha a continuar.
-Pai! Acorda, pai! - disse a pequena com a voz meiga, mas Draco não se moveu, obrigando a tentar de novo e de novo. Logo a paciência da menina se esgotou e ela passou tentar sacudi-lo com todas as suas forças, fazendo com que Draco sorrisse e puxasse a menina para si, enchendo-a de beijos.
- Pára, papai! - pedia a pequena sem fôlego entre gargalhadas. - Já é tarde e mamãe disse que tenho que cuidar de você! - anunciou a pequena, despertando a atenção de Draco.
-Onde está sua mãe, princesa? - questionou o loiro constatando que estava sozinho com a menina.
-Ela foi com a vovó Minnie, ver o vestido! Disse que na próxima semana, eu vou com ela, assim poderei escolher o meu vestido também! - explicou a garotinha visivelmente animada com a idéia, enquanto Draco lembrava vagamente que Hermione havia se esforçado para lhe contar sobre seus planos para o domingo, porém ele havia feito de tudo para desconcentrá-la e não havia prestado atenção em uma só palavra.
“Calma, Draco! Nada de pânico! O elfo babá deve estar por perto e vai dar tudo certo!” - dizia para si mesmo, tentando manter a calma, enquanto era arrastado a mesa do café da manhã pela filha.
- Maysie, onde está o elfo que cuida de você? - perguntou o loiro entre um gole e outro de café.
- Hoje é o dia de folga da Jody, pai…- falou a menina com imensa naturalidade, fazendo com que Draco contasse de um até dez. ” Folga? Por Merlim!Calma, Draco!Não pode ser tão difícil!”
E de fato não era difícil cuidar de uma pessoinha tão independente. Maysie sabia absolutamente tudo o que devia fazer e durante a maior parte do dia, foi ela mesma quem deu as ordens e determinou a rotina, numa cópia perfeita de Hermione. Deixando Draco encantado, ao mesmo tempo em que pensava: “Eu tô perdido!”.
Após os dois terem cumprido todas as tarefas, como: alimentação, banho, troca de roupas e pequenos trabalhos domésticos, ainda havia sobrado muito tempo para diversão e por isso, nada melhor do que um passeio.
Decidindo não abusar da sorte, Draco decidiu que levaria Maysie a pracinha onde ela costumava brincar; Lá parecia um local apropriado e seguro. O dia estava sendo perfeito e Draco não conseguia conter sua satisfação em ver o sorriso no rosto da filha. Aparataram na pracinha e logo Maysie se decidiu pelos balanços.
Atento a cada movimento da menina, Draco a viu começar a balançar cada vez mais alto. Não sabia bem se aquilo era reflexo da coragem de Hermione ou de sua própria imprudência, mas ao constatar que a filha permanecia em segurança, optou por não interferir.
Por um segundo tirou os olhos da garotinha para comprar um exemplar de o profeta diário e cumprimentar Rony e Luna que acabavam de se aproximar. Foi o que bastou. Ao reencontrar o balanço, este já se encontrava vazio. E Maysie estava de pé, parada com as mãos na cintura, discutindo acaloradamente com um garoto visivelmente mais velho do que ela.
- Eu já te disse que esse balanço é meu, sangue-ruim! - berrou um garoto pouco maior que ela, enquanto a empurrava para o lado e se sentava no brinquedo.
-Não é não! Todos podem usar esse balanço! - respondeu a garotinha furiosa.
-Todos podem usar, menos os sangue-ruim como você! Você vai sujar o balanço com seu sangue imundo! - provocou o garoto, fazendo com que Draco fosse tomado por um sentimento de raiva inexplicável. “Quem era aquele menino para ofender sua filha?” - Poderia matá-lo com as próprias mãos naquele instante. Deu um passo na direção das crianças, mas um braço cortou seu caminho, impedindo-o de interferir.
- Fique calmo, Draco! Deixe que ela o responda! - cortou Luna.
-Eu não vou ficar aqui parado, enquanto minha filha é maltratada, Luna! Ela é uma Malfoy e não tem que passar por isso! - berrou Draco, mas Luna não se intimidou.
- Malfoy ou não! Ela tem uma mãe nascida trouxa; É uma mestiça e você não vai poder estar sempre ao lado dela para defendê-la! - insistiu Rony, segurando o loiro.
-È claro que eu posso! - respondeu Draco se sentindo péssimo ao recordar a maneira como ele costumava tratar Hermione. “Aquilo era castigo. Um cruel e terrível castigo…” - pensou o rapaz, voltando à atenção novamente para a pequena.
-Fique sabendo que meu sangue é muito melhor que o seu! Minha mãe é tão inteligente que escreve livros para ensinar os outros a usarem magia e ela e meu pai são tão fortes que lutaram na guerra e receberam medalhas! Se quiser o balanço pode ficar, não gosto de brincar com gente boba! - revidou a menina, dando as costas para o garoto.
Neste instante, Rony soltou Draco que caminhou na direção da menina e a tomou nos braços ainda confuso entre a culpa por seus erros do passado e o orgulho que sentia de sua garotinha por ter enfrentado de cabeça erguida a situação.
Depois disso, retornaram a casa e naquela noite, ao invés de matar a saudades dos beijos de Hermione, optou por conversar sobre o ocorrido naquela tarde e mais uma vez, pedir perdão por ter sido sempre tão cruel e arrogante. Hermione escutava cada palavra com máxima atenção, sentindo-se cada vez mais segura e confiante em relação ao futuro que teria como esposa de Draco.
Aquela teria sido mais uma madrugada de intensa paixão, se James Harry Potter não tivesse decidido que aquele era o momento ideal para chegar ao mundo. “Ele não queria perder a festa!” - brincou Draco enquanto cumprimentava Harry visivelmente emocionado. O apartamento do hospital onde Gina se encontrava com o bebê de cabelos negros e arrepiados logo ficou pequeno para a imensa família Weasley e tantos amigos.
Agora finalmente os dias transbordavam felicidade e também nervosismo para uma noiva. Após semanas tentando racionalizar e convencer Draco que não era necessário um casamento tão grandioso, Hermione se deu por vencida e acabou delegando a Narcisa a tarefa de organizar a festa da maneira que o noivo desejava. Foi a forma encontrada não apenas para satisfazer Draco, mas também para que Narcisa se sentisse parte essencial da nova família.
Horas antes da cerimônia, já vestida num maravilhoso vestido branco de cetim delicadamente adornado por pequenos cristais, Hermione pediu a Luna que levasse Maysie por alguns instantes, ficando a sós com Minerva, que já não conseguia esconder o nervosismo e a emoção. Seguindo uma antiga tradição, Hermione pediu que a “mãe” lhe colocasse o véu, fazendo com que o coração da professora disparasse.
- Minerva, quero que saiba que a amo de todo o meu coração e que nada e nem ninguém jamais poderia me afastar de você! - disse a noiva segurando as mãos da senhora, que não conseguiu conter as lágrimas.
-Eu também amo você, minha filha! - respondeu com a voz embargada, abraçando Hermione.
-Hei, nada de lágrimas agora! - interrompeu Narcisa elegantíssima em um traje azul. -Hermione, meu filho está impaciente… Creio que seja a hora de iniciar a cerimônia! E quanto a você Minerva, por Merlim, a mãe da noiva não pode começar a chorar antes de chegar ao altar! - disse provocando risadas.
A mansão Malfoy estava ricamente decorada por pequenas luzes e flores brancas; Tudo estava absolutamente perfeito. Jamais se viu uma festa tão grandiosa como aquela. Quando a orquestra começou a tocar uma música suave, um incontável número de pessoas se viraram para ver a pequena Maysie desfilar pelo tapete vermelho, em seu perfeito vestidinho de princesa. Draco não pode deixar de sorrir observando sua pequena vaidosa absolutamente à vontade na função de daminha de honra, mas logo voltou sua atenção para Hermione, que parecendo uma belíssima rainha, caminhava confiante em sua direção, iluminando o mundo inteiro com seu sorriso. Jamais sonhara com tanta felicidade.
No altar os Potter e os Weasleys, além de Severo Snape e Tonks faziam às vezes de padrinhos. Snape jamais imaginou ser padrinho de alguém, mas não foi capaz de declinar o convite. Embora estivesse pouco a vontade, não escondia uma ponta de orgulho em poder observar o homem que Draco havia se tornado.
A cerimônia foi emocionante, Draco e Hermione escolheram escrever seus próprios votos e juraram fidelidade e amor eterno a sua própria maneira, comovendo a todos os presentes. A senhora Weasley não conseguiu segurar as lágrimas, no momento da troca das alianças. E logo após o beijo oficial, uma daminha de honra enciumada finalmente conseguiu seu espaço.
Para a primeira foto oficial da nova família Malfoy, Draco ergueu Maysie nos braços beijando a face da filha, tendo seu gesto repetido por Hermione, enquanto a pequena sorria.
O buquê da noiva acabou caindo nas mãos de Lilá Brown que após anos de ausência, havia retornado à Londres apenas para comparecer ao casamento e surpreendido a todos, mas principalmente ao jovem medi-bruxo Neville Longbotton com seu novo visual. Fato prontamente percebido pela doce Luna Weasley que vibrava de felicidade com aquele dia maravilhoso.
Na hora do brinde, Harry e Rony fizeram questão de emocionar aos noivos e a todos os presentes, relembrando algumas cenas do passado que haviam resultado naquele momento de felicidade. Nem mesmo Draco conseguiu conter os risos diante da narrativa de Rony sobre o dia de “vassalos” que viveram no México. Ou emoção, quando Harry mencionou as difíceis batalhas e a luta pela liberdade que havia os unido. Ao final do discurso, Hermione sem conseguir dizer uma só palavra, abraçou aos amigos e irmãos e os agradeceu silenciosamente por fazerem parte de sua vida.
A festa corria solta, quando Draco decidiu fazer uma surpresa para sua noiva e ordenou que a orquestra tocasse uma melodia que Hermione conhecia muito bem, e a convidou para dançar.
Logo era como se a multidão de convidados houvesse desaparecido. Somente um existia diante do outro. Ele a abraçou tornando os corpos bem mais próximos do que uma valsa tradicional permitiria e começou a se mover lentamente no ritmo da suave canção. Levou sua boca bem próximo ao pescoço de sua amada e sussurrou os versos da canção, declarando mais uma vez todo o seu amor.
Houve tempos em que eu me escondia com medo de mostrar meu outro lado
Sozinho à noite sem você… Mas agora eu sei exatamente quem você é!
E eu sei que você tem meu coração! Finalmente é aonde eu pertenço
É você que eu tenho amado todo tempo!
Não há mais mistérios, isso finalmente ficou claro pra mim
Você é o lar que meu coração procurou por tanto tempo
E é você que eu tenho amado todo tempo!
Mais e mais, eu estou cheio de emoção; Seu amor, ele corre através de minhas veias
E eu estou cheio com uma devoção maravilhosa, agora, enquanto eu, eu olho no seu rosto perfeito…
Não há mais mistérios, isso finalmente ficou claro pra mim!
Você é o lar que meu coração procurou por tanto tempo
E é você que eu tenho amado…
É você que eu tenho amado,
É você que eu tenho amado todo tempo!
Assim, Draco e Hermione Granger entregaram-se a um intenso beijo repleto de significado, sendo ovacionados com palmas e assobios por seus amigos, que finalmente testemunhavam a definitiva vitória de um grande amor.
Fim.
melds , simplismente perfeito ):
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nhaiii… sua fic eh simplesmente perfeita!!
esse final eh lindo, mas tb deixa muito a desejar… hehe
perfeito D+!
amei
Parabens!
um bjuu
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