As praias desertas continuam
Esperando por nós dois.
A este encontro eu não posso faltar!
O mar que brinca na areia
Está sempre a chamar.
Agora eu sei que não posso faltar.
O vento que venta lá fora,
O mato onde não vai ninguém,
Tudo me diz: não podes mais fingir.
Porque tudo na vida
Há de ser sempre assim;
Se eu gosto de você
E você gosta de mim.
Em meio a uma mesa coberta por pergaminhos e livros, uma delicada mão desenhava com cuidado palavras importantes. Cada letra feita com máximo empenho e dedicação, visava a composição perfeita de algo que pudesse ser interpretado por outra pessoa. As horas corriam, mas ela não parecia se importar… Permanecia em transe e sequer ouviu quando seu nome foi chamado por repetidas vezes.
- Oh! Aqui está você! Como não adivinhei antes? -Minerva resmungou baixinho ao entrar na biblioteca e se deparar com a neta sentada sobre diversas almofadas coloridas para que pudesse alcançar a mesa.
Maysie podia ter a aparência de uma Malfoy, mas certamente também havia herdado muito de Hermione Granger. Para Minerva, não foi nenhuma surpresa a facilidade com que a menina aprendeu a identificar e reproduzir as primeiras palavras… E ainda que parecesse demasiadamente cedo para quem observasse, ela sempre soube que Maysie estava destinada a surpreender e que aquilo era apenas o início.
- Maysie! Venha, temos visitas, querida! - anunciou Minerva, finalmente ganhando a atenção da pequena.
Com muito cuidado a menina pousou a pena no tinteiro e dobrou o pergaminho no qual escrevia. Minerva ficou um tanto intrigada ao perceber que pela primeira vez, a menina parecia não desejar exibir seus feitos, guardando para si o conteúdo do papel, porém preferiu não interferir e apenas conduziu a neta em direção a sala onde Hermione as aguardava.
Sentada no sofá, numa postura impecável, a moça de cabelos castanhos conversava um tanto apreensiva com Ninfadora Tonks, esquecendo-se completamente da xícara de chá em suas mãos. Aquela visita, embora já esperada e sinceramente bem-vinda, certamente não seria algo simples para as mulheres que habitavam aquela casa, principalmente depois dos últimos acontecimentos.
Antes de tudo, Hermione se viu forçada a relatar alguns fatos nada agradáveis, na intenção de que a amiga compreendesse sua posição em relação à Draco Malfoy, mas ainda assim, Tonks saiu em defesa do primo. Novamente não foi uma conversa fácil.
- Você precisa compreender, Mione… - dizia Tonks na esperança de amolecer o coração da amiga.
A cada palavra a respiração se tornava mais pesada. Não queria ouvir, não eram necessários mais motivos para voltar a se iludir e por isso optou por se mostrar irredutível. Ainda mantendo a postura impassível, observou a filha entrar correndo pela sala e se posicionar ao seu lado ao constatar a presença de uma estranha.
Os pequenos olhos azuis observaram cada detalhe da mulher sentada ao lado de sua mãe, detendo-se especialmente nos cabelos cor-de-rosa. A aparência de Tonks era bem diferente de tudo que a menina já havia visto, no entanto, parecia agradá-la completamente. Logo a seriedade cedeu espaço a um lindo sorriso, que foi prontamente retribuído, selando uma simpatia mútua.
-Maysie, essa é Tonks, uma grande amiga da mamãe! - começou Hermione - Tonks essa é a minha Maysie! - disse sem perceber o peso que colocava no pronome possessivo.
- Oh! Merlim! Como você é linda, Maysie! Estou muito feliz por finalmente conhecê-la! - falou a auror animada, fazendo com que a pequena vaidosa sorrisse ainda mais diante do elogio.
- Tonks, é auror, Maysie, assim como seu padrinho! - disse Hermione despertando de imediato o interesse da menina que começou uma bateria de perguntas, mal permitindo a Tonks respirar. E ainda que um tanto espantada com o interesse da pequena, a moça decidiu tentar responder todas as questões da forma mais direta possível.
- Mãe, acho que não quero ser auror! - conclui a pequena após seu interrogatório, fazendo com que Tonks sorrisse.
-Mas por que, Maysie? Ser auror é muito legal! - insistiu Tonks.
-Oh, não!Ser auror é muito difícil, deve ser o trabalho do príncipe encantado! Ele é que saí por aí enfrentando os perigos… Eu quero ser a princesa! - explicou séria.
-Você já é uma princesa, querida! - disse Tonks dando um beijo na testa da menina e já se despedindo. - Pense bem, Mione! Dê uma nova chance para vocês! - pediu pouco antes de aparatar em seu apartamento, deixando a amiga mais pensativa do que ela seria capaz de admitir.
-Mãe? - chamou Maysie fazendo com que Hermione despertasse de seus devaneios. - Eu gostei dessa nova tia, mas quando a tia Luna vai chegar? - quis saber a menina.
- A qualquer momento, meu bem! - assegurou castanha tentando conter a ansiedade da filha.
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A ausência da mobília fazia com que o espaço parecesse duas vezes maior do que realmente era. O mínimo ruído ecoava por entre as paredes tornando-se ensurdecedor. Até quando teria que esperar para que aquele lugar se tornasse um lar de verdade? - perguntava Draco a si mesmo.
Mais um dia vazio para colecionar lembranças, antes perdidas, mas que agora constituíam a razão de seus dias. O caminho sempre tão difícil, parecia ter se fechado em um círculo, por mais que andasse, sempre retornava ao ponto de partida e a frustração da falta de respostas lhe corroia por dentro.
As sob uma pequena mesa posicionada ao lado da cama, uma considerável quantidade de cartas se acumulavam dia após dia; Ele as mantinha ali, esquecidas e intactas. Não havia porque lê-las se nenhuma lhe falaria sobre ela. Quanto tempo desperdiçado! Outro poderia pensar em desistir, mas não ele.
Era domingo e ele não iria trabalhar, porém não desejava permanecer na mansão vazia e por isso optou em ir ao centro de Londres, verificar se seus detetives haviam encontrado alguma pista sobre o paradeiro de Hermione. Lembrando-se que o clima começava a esfriar, pegou o sobretudo negro e aparatou, sem se dar conta da presença de uma coruja bastante conhecida que acabava de adentrar sua residência.
Aparatou em um prédio no beco diagonal e mais uma vez sentiu o gosto amargo do fracasso em sua garganta; Nada. Nenhuma pista, nenhum sinal. Ela realmente não queria ser encontrada, era um fato que precisava admitir… Mas um Malfoy jamais se dava por vencido, principalmente se era a sua felicidade que se encontrava em jogo.
Com a cabeça latejando, Draco viu-se novamente diante de um lugar de sua infância capaz de lhe inspirar alguma tranqüilidade. Desejando ficar sozinho e ciente de que precisava tomar novas decisões, ignorou o vento gelado e se sentou em um banco da pracinha e pôs-se a refletir.
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Aos domingos era certo que Luna e Rony viessem visitar as garotas Granger. E como da última vez, Luna prometeu que levaria a sobrinha para tomar um enorme sorvete em Londres, a cada minuto via-se uma garotinha mais impaciente.
- Acalme-se, querida! Luna chegará a qualquer momento! - dizia Minerva achando graça da expressão contraria da neta.
-Mas ela já devia ter chegado, vovó! - reclamava a loirinha. - Ela esqueceu! - bufou contrariada.
- De quê eu me esqueci, Maysie? - perguntou Luna curiosa ao aparatar na sala da casa de Minerva.
-Tia Luna! Tio Rony! - gritou a menina correndo para o casal recém chegado.
-Oh!Puxa! Como você cresceu! - disse Rony tomando a menina nos braços.
- Como vai, Minerva? - cumprimentou Luna com alegria. - E onde está Hermione?
Aproveitando que a neta permanecia completamente entretida com Rony, Minerva decidiu relatar a Luna sobre a visita de Tonks e revelar que Hermione havia se recolhido ao quarto.
-Certamente está com a mente e o coração cheios de dúvida e pesar… - falou Minerva com tristeza.
-Eu entendo. - disse Luna. - Bom, creio que será melhor conversar com ela somente mais tarde, então…
-Sim, eu creio que será melhor. - anuiu Minerva.
- Bom, neste caso, Rony e eu temos uma promessa a cumprir, não é mesmo princesa? - perguntou a moça sorrindo.
-Sim! - respondeu a menina feliz.
-Voltamos logo! - disse Rony, enquanto segurava a mão da noiva e aparatava.
A mudança do clima pareceu afugentar grande parte dos clientes da sorveteria que permanecia praticamente vazia. Havia uma infinidade de mesas e cadeiras para que pudessem escolher.
- Tem certeza que quer tomar sorvete neste tempo tão frio, gracinha? - perguntou Rony, recebendo imediatamente um aceno positivo.
A pequena era realmente louca por doces, sorvetes em especial. Decidida, ignorou o frio e caminhou até o balcão sem soltar a mão do tio, sequer por um segundo; Tal fato não passou despercebido a Luna, que sempre achou graça da paixão da menina pelo ruivo.
- E então princesa… Qual sorvete vai escolher hoje? - quis saber Luna.
-Hum… Acho que quero de chocolate!- respondeu a menina alegremente.
“Fazê-la feliz é tão simples!” - pensava Rony observando a garotinha e permitindo que sua mente se enchesse de idéias sobre paternidade, sem deixar de sentir uma pontada de pena. “Qualquer homem desejaria ser pai de uma garotinha tão linda e adorável…”
-Rony? Rony? Não vai tomar seu sorvete? - perguntou Luna arrancando o ruivo de seus devaneios.
O tempo passou de pressa. Maysie era alegre, confiante e expansiva. Durante vários minutos falou sobre suas idéias e fez perguntas principalmente sobre Hogwarts. A pequena bruxinha parecia mais do que ansiosa para começar a aprender magia, mas por hora, era preciso tentar frear tanta empolgação.
Luna ficou imensamente surpresa quando a sobrinha lhe mostrou que já conseguia ler pequenas frases e escrever algumas palavras, rabiscando cuidadosamente seu próprio nome em um guardanapo de papel.
- Oh! Mas você é mesmo bem filha da sua mãe! - disse Rony sorrindo diante da futura sabe-tudo de Hogwarts.
E ainda que não compreendesse exatamente as palavras do tio, Maysie interpretou o comentário como um imenso elogio. Para ela não havia nenhuma pessoa tão boa e tão inteligente como sua mãe, e por isso, abriu um sorriso satisfeito.
- Tio Rony, você me leva na pracinha? - pediu a menina com toda a sua meiguice, desejando brincar nos balanços coloridos do playground.
- Ah! Maysie eu não sei… Prometemos a sua avó que não íamos demorar! - começou o rapaz, mas diante dos olhinhos tristes da pequena, logo voltou atrás. - Bom, mas a tia Luna pode levá-la enquanto eu pago a conta.
- Você me leva, tia Lu? - perguntou ansiosa.
-Claro, minha linda! Apenas pegue o Fat Loui! - disse Luna apontando para o coelho de pelúcia rechonchudo que a sobrinha insistira em levar com ela.
Assim, as duas seguiram em direção a pracinha em frente, enquanto Rony se dirigia ao balcão para pagar a conta e esbarrava acidentalmente em um rapaz.
-Me desculpe! - falou o ruivo. -Dino? Cara é você?
-Rony! Que bom te ver! - saudou o ex-grifinório, iniciando uma conversa que certamente renderia um bocado.
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Ainda de longe, os olhos cintilaram ao ver que o balanço preferido estava completamente disponível. Era um dia perfeito para a menina que teve absolutamente todos os seus desejos atendidos. Soltou a mão de Luna e caminhou confiante em direção ao brinquedo, mas logo que o tocou, teve uma surpresa desagradável.
- Esse balanço é meu! - berrou um garoto pouco maior que ela, enquanto a empurrava para o lado e se sentava no brinquedo.
-Não é não! Todos podem usar esse balanço! - respondeu a garotinha furiosa, enquanto pegava seu coelhinho que havia caído no chão.
-Todos podem usar, menos os sangue-ruim como você, menina trouxa! - provocou o garoto.
-Fique sabendo que eu não sou trouxa! Meus pais são bruxos! - gritou a menina ofendida.
-Mesmo? E qual é o nome do seu pai? - quis saber o garoto.
Mas Maysie não podia responder essa pergunta. Seu pai era um bruxo e um homem bom, mas precisou ir embora. Sua mãe prometeu que um dia lhe explicaria tudo, mas jamais o fez e agora ela se dava conta que não sabia o nome de seu pai. Mais do que nunca, sentiu que precisava encontrá-lo.
Ainda triste, agarrou Fat Loui e caminhou com passos duros para longe do menino e de seus insultos. Quando deu por si, já estava do outro lado da praça. Procurou em volta, mas não havia nenhum sinal de sua tia Luna; Pouco a pouco, sentiu-se tomada pelo medo de estar sozinha e quando os olhos já começavam a marejar, ela o viu.
“É ele!” - pensou a menina, ao se deparar com a imagem de um homem de pele muito branca e cabelos muito loiros, sentado sozinho em um dos bancos da praça. Embora permanecesse sentado e com a cabeça baixa, ela tinha certeza de que ele era alto e forte. Aproximou-se lentamente e parou diante dele, abraçando o coelhinho com força, enquanto tentava confirmar uma última dúvida.
Mergulhado em pensamentos, Draco sentiu uma estranha sensação de que era observado. Levantou a cabeça pronto a dizer meia dúzia de desaforos para quem quer que ousava encará-lo daquela maneira, mas foi pego de surpresa ao se deparar com uma garotinha de cachinhos loiros que o observava séria, mas com notável interesse.
“Olhos da cor do céu!” - pensou a menina ao ver finalmente o homem levantar o rosto e olhar em sua direção. Neste momento acabaram todas as suas dúvidas. Era como um milagre! Ele estava ali e poderia finalmente ajudá-la. Utilizando toda a coragem que tinha, ela deu mais dois passos ficando bem próxima do rapaz que a encarava e venceu o silêncio.
- Você é o príncipe encantado? - perguntou procurando confirmar sua suspeita.
Draco ouviu perfeitamente as palavras da garotinha, mas não as compreendeu. “príncipe encantado? eu?” - pensou o loiro achando graça.
- Por que acha que eu seria esse tal príncipe? Acaso me pareço com ele? - perguntou curioso.
-Sim. Você é exatamente como minha mãe me disse que ele era… - justificou a pequena.
Draco não gostava de crianças, mas essa parecia ter algo de diferente. Havia algo familiar nela e a maneira como ela lhe encarava… Não conseguia explicar, mas de repente viu-se puxando assunto com uma menininha que não devia ter mais do que cinco anos.
- Não acha que é jovem demais para procurar um príncipe? - perguntou Draco intrigado.
-Oh, não! Eu não o procuro para namorar, preciso de um favor! - explicou Maysie despertando ainda mais a curiosidade do rapaz.
-Que favor? - questionou intrigado.
- Não posso te contar! Só se você for o príncipe! - falou decidida.
- Se me contar, talvez eu possa ajudar… - tentou convencê-la.
-Oh! Entendi! Isso é coisa de herói, né? - disse a pequena abrindo um enorme sorriso, um sorriso que de alguma forma inexplicável, ele já conhecia e que o hipnotizou. - Você quer me ajudar! Eu sabia que era você!
“O que ela está dizendo? Ainda pensa que sou o tal príncipe e que não posso dizer quem sou por que é segredo?” - pensou Draco divertindo-se com a inocência da criança.
- Mas me diga, porque uma menina tão bonita como você precisa de ajuda? - perguntou com a voz doce.
-Acha que sou bonita? - quis saber Maysie, novamente traída pela vaidade.
-Você é muito bonita, como uma princesa! - disse Draco tentando agradar a pequena e acertando em cheio. - Mas me diga, que tipo de ajuda precisa?
Maysie imediatamente se aproximou um pouco mais e fez um sinal para que Draco se curvasse, e como quem conta um grande segredo sussurrou ao seu ouvido: “eu preciso encontrar uma pessoa!”.
Ao ouvir aquelas palavras, Draco franziu o cenho imediatamente. Ficou estático por alguns segundos e mal pode acreditar no que viria a seguir… “Sabe, ele foi embora há muito tempo, mas se eu o encontrar só uma vez e falar com ele, pronto, ele vai querer ficar!”
- Parece tão simples… - as palavras escaparam de sua boca num tom amargo, mas a resposta imediata o fez voltar ter alguma esperança.
- Mas é simples! È só explicar tudo direitinho e mostrar que eu o amo!- falou a menina fazendo o loiro sorrir, imaginando se isso seria possível. Um pequenino anjo aparecera diante de si para fazê-lo novamente acreditar e lhe mostrar um novo caminho.
Conversando tão entretidos, sequer se deram conta da aproximação de uma moça loira que tremia da cabeça aos pés, seguida de perto por um rapaz de cabelos vermelhos que também se encontrava muito nervoso.
-Maysie! Por Merlim! Como pôde desaparecer dessa maneira! - disse Luna tomando a menina em seus braços. - Quase nos matou de preocupação! Isso não se faz! Não pode sair por aí sozinha, mocinha!
-Desculpa, tia! - falou a menina num fio de voz.
- Não brigue com ela! - interferiu Draco, sem sequer saber porque o fazia.
-Malfoy? - falou Rony surpreso ao finalmente olhar para a pessoa que se encontrava ao lado da sobrinha no banco da praça.
-Como vai Weasley? Lovegood… - saudou.
Imediatamente Rony voltou-se para Luna que engoliu seco e tomou a menina em seus braços, dizendo:
-Vamos para casa, mocinha! Sua mãe nos espera!
Enquanto Rony e Luna a levavam em direção ao ponto liberado para aparatação, Maysie continuava a encarar Draco e por fim, decidiu que devia se despedir.
-Adeus, príncipe encantado!
-Adeus, princesa! Não sabe como me ajudou! - falou Draco baixinho, enquanto observava os três desaparecerem e somente depois percebendo um pequeno animal de pelúcia esquecido ao seu lado.
De volta à residência McGonagall, Luna caminhava de um lado para outro enquanto esperava Hermione. Não sabia o que diria a amiga e por isso se sentiu imensamente aliviada quando Minerva se desculpou e informou ao casal havia convencido a filha a tomar uma poção para dormir.
-Amanhã ela terá um dia muito cheio e precisava acalmar os nervos - justificou Minerva se referindo a uma reunião que ocorreria logo cedo para definir a publicação da primeira parte das pesquisas que Hermione vinha realizando nos últimos tempos.
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De volta à nova Mansão Malfoy, Draco se jogou na cama ainda com o coelhinho nas mãos, pensando na idéia simples de uma criança, mas que poderia dar certo. O ambiente escuro o traiu e ele acabou levando um grande susto ao se deparar com dois olhos imensos em meio à penumbra.
Sentou-se na cama rapidamente, já procurando sua varinha nas vestes, quando foi capaz de reconhecer sua companhia. Finalmente Edwiges podia cumprir sua tarefa e retornar para casa e foi exatamente isso o que ocorreu; Antes que o rapaz pudesse raciocinar a coruja atirou um pedaço de pergaminho em seu colo e desapareceu pela janela.
“Mas o quê pode ser?” - pensou o loiro abrindo o pergaminho e encontrando palavras que o fizeram vibrar.
“Amanhã. 17:00h. Berclkey Street, 24.”
- Obrigada, Gina! - disse o loiro em voz alta, sentindo seu peito ser invadido por alegria e confiança.
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Apesar da tensão inicial por estar novamente em Londres, tudo saiu conforme o planejado para Hermione naquela manhã. Utilizando-se de uma lareira, chegou rapidamente ao imponente edifício da editora que se mostrava interessada em seu trabalho. Ainda não conseguia compreender como a notícia de suas pesquisas poderia ter chegado até eles, mas sentia-se profundamente emocionada com a idéia de publicar seu próprio livro.
Em uma sala de reuniões muitíssimo bem decorada, Hermione ouviu atentamente as palavras do editor chefe e expôs todas as suas condições para que o acordo fosse selado. E não resistindo a curiosidade, antes de dar sua aceitação final, a moça questionou.
-Senhor Cotillard, gostaria de lhe fazer apenas mais uma pergunta… - começou a moça já com a pena para assinar o pergaminho nas mãos. - Como o senhor e sua equipe tomaram conhecimento de minhas pesquisas?
-Bom, é verdade que sem ajuda, não teríamos meios para descobri-la senhorita Granger, porém a pessoa que nos deu tal informação pediu sigilo sobre sua identidade. - afirmou o homem.
- Me perdoe então senhor, mas sem essa informação creio que seja impossível prosseguir com o acordo. - falou a moça decida, chocando todos os presentes.
-Mas…
Ela permanecia irredutível, até que sem muita escolha o Sr. Coltillard viu-se forçado a romper o silêncio e revelar um nome.
-Professor Snape.
Hermione deixou a editora ainda sem conseguir digerir a informação. Por que Severo Snape a ajudaria? Idéias voavam soltas em sua mente, mas não havia tempo pensar sobre isso, estava realmente atrasada.
- Oh, Gina vai me matar! - pensou em voz alta ao tomar ciência das horas e aparatando em seguida.
Novamente Hermione tinha certeza que havia caído em um plano das amigas para tentar animá-la ou distraí-la; Era assim desde que eram adolescentes… Mas ao chegar à casa dos Potter, uma enorme surpresa esperava por ela.
- Está atrasada! - disse Gina contrariada.
-Sim, eu sei, me desculpe! - começou a moça, mas Gina não permitiu.
- Tive que ir ao medi-bruxo sozinha! - reclamou a ruiva alarmando Hermione.
-Medi-bruxo? Está doente, Gi? - perguntou com um tom preocupado.
- Não… Eu estou grávida! - Gina anunciou radiante.
-Oh! Merlim! - gritou Hermione abraçando a amiga. - È maravilhoso!
-Ah! È sim! Mas agora a senhora vem comigo escolher um vestido maravilhoso, afinal não posso dar essa notícia a Harry vestindo qualquer trapo! - falou Gina autoritária.
Hermione realmente não tinha a menor vontade de fazer compras, mas era impossível negar algo a Gina. Ela estava tão feliz… “Harry ficará em êxtase com certeza” - pensou a moça sentindo uma pontada de tristeza. Desejava que tivesse sido assim para ela, mas o destino não permitiu. Balançou a cabeça para afastar esses pensamentos e acompanhou a amiga até uma badalada loja.
Do local de aparatação até as imensas portas espelhadas da famosa Maison eram somente cinco passos e não tomariam mais do que dez segundo das moças que conversavam incessantemente. Elas passaram rápido como uma brisa e desapareceram dentro da imensa loja, sem desconfiar que eram observadas.
Draco esperou pacientemente uma oportunidade para finalmente conversar com Hermione. Porém após algumas horas, sua paciência havia se esgotado por completo. “Não esperarei nem um segundo a mais, ela irá me ouvir agora” - decidiu o loiro, tomando uma atitude completamente inesperada.
Um verdadeiro santuário feminino sempre rejeitava a presença masculina. Mas ele não era um homem qualquer, era Draco Malfoy e ninguém atrapalharia seus planos. Dirigiu-se ao primeiro balcão e usando um pouco de seu charme, descobriu facilmente a direção de Gina e Hermione.
Pela porta entreaberta pode observar por alguns segundos a bela moça de cabelos castanhos, que permanecia displicentemente jogada sobre um divã escarlate, brincando distraída com um de seus próprios cachos enquanto esperava Gina experimentar mais um vestido.
Era perfeito, tudo o que precisava fazer era se aproximar e falar com ela. Sentiu um leve frio no estômago, mas o ignorou por completo e seguiu o seu plano. Hermione piscou várias vezes imaginando se ele era real ou uma mera alucinação de sua mente e percebendo isso, ele lhe sorriu.
- Oi. - ele disse ainda sorrindo para ela e em seguida se sentou bem ao seu lado, sussurrando - Diga-me quando vai se cansar de fugir de mim?
A proximidade inesperada fez com que o corpo da moça fosse tomado por um estranho arrepio. “Como é possível? Ele não poderia ter me encontrado aqui!” - tentava raciocinar a garota.
- O que faz neste lugar? Homens não podem entrar aqui! - protestou Hermione tentando manter a voz inalterada. Neste exato momento a vendedora chegou trazendo mais três vestidos e ao se deparar com a presença de um homem, não teve dúvidas:
- Senhor, o senhor não pode permanecer aqui! - falou educadamente para a completa satisfação de Hermione.
Mas Draco nunca se importou em quebrar as regras quando preciso, e sem pestanejar convenceu a moça a deixá-lo ficar usando simplesmente palavras educadas e o olhar sedutor capaz de fazer derreter qualquer coração, fazendo com que Hermione ficasse furiosa ao constatar que a pobre moça já estava aos pés do loiro.
- Eu não acredito nisso! - falou Hermione com raiva, fazendo com que Draco sorrisse ao perceber uma pontada de ciúmes na expressão da moça.
Neste exato momento, Gina saiu do provador usando um vestido preto de alças finas que lhe caia muitíssimo bem.
-E então, Mi… - começou a ruiva estancando completamente diante da presença de Malfoy.
-Oh, Weasley! - saudou Draco se aproximando da moça.
-É Potter, Malfoy! - corrigiu Gina, sem acreditar que ele havia entrado na loja.
-Não importa. Você está ótima! - elogiou, fazendo com que Gina corasse.
Aquilo foi demais para Hermione, que sem pensar muito pegou seu casaco e se colocou de pé, pronta para fugir novamente, mas Draco foi mais rápido e a segurou pelo pulso antes que a garota pudesse alcançar a porta. E encarando firmemente os olhos castanhos, falou num tom calmo.
-Gina, sua amiga e eu precisamos conversar a sós… Tudo bem se a deixarmos aqui? - perguntou o loiro ainda se desviar o olhar.
-C-claro - gaguejou Gina, sabendo que se Malfoy falhasse estaria em uma grande encrenca.
- Eu não vou a lugar algum com você! - protestou Hermione tentando se soltar, mas dessa vez, Draco reagiu.
- Sim, você vai comigo! Vai ouvir o que tenho a dizer e se depois disso ainda quiser ir embora, estará livre de mim para sempre! - declarou Draco fazendo com que o nervosismo de Hermione triplicasse.
Assim, Draco conduziu Hermione para fora da loja e aparatou com ela antes que a moça tivesse chance de dizer qualquer coisa.
Antes mesmo de abrir os olhos, Hermione sentiu seus pulmões serem invadidos por uma brisa inconfundível e suas sandálias afundarem levemente no solo que já não se mostrava tão firme. “Não! Ele não faria isso comigo!” - pensou a garota abrindo os olhos e constatando que seus temores eram precisamente verdadeiros. Estavam de volta a praia de La Madeleine, exatamente no local onde tudo havia começado.
-Por quê? - foi tudo o que conseguiu dizer.
- Você sabe por quê… Aqui nos conhecemos de verdade e nos apaixonamos. Não há um dia que eu não sonhe com esse lugar e com você! - declarou o loiro, enquanto levantava levemente o queixo da moça, para encontrar seu olhar.
- Não se pode retornar ao passado, Draco. As coisas são como são… - falou a garota com tristeza.
- Eu não quero voltar ao passado. Quero construir um futuro ao seu lado. - falou sério.
-Você e eu somos de mundos diferentes! É ilusão acreditar… - começou a castanha, mas acabou sendo interrompida por um beijo cheio de paixão, que involuntariamente, ela acabou correspondendo.
-Isso é ilusão? Se for não quero jamais retornar a realidade! - declarou Draco satisfeito em constatar mais uma vez que ela também o queria.
- Não brinque. Quero que se afaste de mim e siga sua vida! Estou cansada e ferida demais! - falou se desvencilhando.
- Eu sei que está magoada; Sei que te fiz sofrer! Mas nunca desejei isso! Eu errei ao me deixar influenciar pelos outros, mas…
-Mas sua família, seus amigos e até seu nome sempre nos afastarão! - falou Hermione virando-se de costas para tentar esconder os olhos marejados, mas logo sentiu o corpo de Draco colar no seu.
- Você é a minha família, minha melhor amiga e se meu nome também for o seu, ele apenas nos unirá… - falou bem próximo ao ouvido da moça, antes de virá-la para si e concluir: - Apenas me dê mais uma chance!
Hermione mal conseguia respirar, suas mãos tremiam e seus joelhos pareciam que iriam ceder diante do peso do corpo a qualquer momento. Desejava tanto acreditar naquelas palavras, mas não podia simplesmente se deixar levar mais uma vez. Era tão complicado…
Draco por sua vez, estava certo de que triunfaria e por isso, sentia-se muito feliz. Livrou-se do casaco e dos sapatos fazendo com que Hermione fizesse o mesmo e a convidou para um passeio.
-Venha! Vamos encontrar aquela piscina natural, prometo que dessa vez não vou permitir que se machuque! - disse o loiro lembrando-se do que ocorreu anos atrás quando Hermione tentou atravessar sozinha o trecho de pedras escorregadias e acabou com um corte profundo no pé.
A forma como ele a olhava, o tom de sua voz, quase sempre rouca quando falava com ela e o perfume que exalava, sempre produziram um efeito devastador em Hermione, que quando deu por si, caminhava lentamente abraçada ao loiro, sentindo as ondas se desmancharem em seus pés.
Ele segurava firmemente em sua cintura, como se pretendesse impedir que seu corpo se separasse um centímetro a mais do que o necessário. Caminhava com firmeza e revivia os momentos que haviam passado juntos naquela praia a partir de seu próprio ponto de vista, hipnotizando completamente a moça, que pela primeira vez em anos sentia-se próxima a mente e ao coração do homem que sempre amou.
- Você estava sempre tentado me ajudar, mas eu não conseguia entender isso… Não me lembrando do modo como sempre te tratei. Fiquei louco quando percebi que estava me tornando dependente… - confessou.
- Eu só queria ajudar, mas você não permitia! Um Malfoy não precisa de ajuda, muito menos de uma sang…
- Não diga isso! Eu estava louco por você e simplesmente não sabia como lidar com isso! E no fundo eu estava certo em temer! Cinco anos depois, eu estou aqui novamente implorando que você fique comigo, por que simplesmente nada tem sentido se você não está ao meu lado! - confessou.
Os segundos tornaram-se eternos e mais uma vez ela se viu completamente mergulhada nos espelhos de água cristalina. Sabia que ele estava sendo sincero, mas novamente o medo a perturbou.
- Quando a guerra acabou, eu acreditei que tudo poderia dar certo para nós, mas então você não sabia quem eu era. Imaginei que este lugar e o que se passou estaria enterrado para sempre… Talvez seja o melhor, Draco! Talvez você deva seguir sua vida ao lado da sua família e eu continuar a minha…
-Não! Acho que você ainda não compreendeu! Eu não tenho outra família, a não ser você. Eu não vivo mais com Narcisa Malfoy e jamais voltarei a dirigir a palavra a Pansy Parkinson. Comprei uma nova casa, uma casa que também será sua! Eu quero voltar a minha antiga vida sim, a vida que tinha ao seu lado e de todos aqueles grifinórios bobões! É o que eu quero! - falou o loiro cheio de convicção, deixando Hermione emocionada.
A ânsia de se atirar nos braços dele era tamanha, que ela quase não foi capaz de resistir, mas a lembrança da filha a fez agir com cautela.
- Muito tempo já se passou Draco, talvez aquela garota de que você se lembra não exista mais. - ela tentou alertá-lo, enquanto ele a convidada a se sentar ao lado dele para observarem o sol se pôr no mar.
- Pois eu não tenho nenhuma dúvida de que ela permanece em você! Eu a vejo em seus olhos… Na maneira como me olha e a sinto cada vez que a beijo… - disse o rapaz puxando a moça para si.
“Por que tenho que ser tão absurdamente transparente?” - pensou Hermione pouco antes de ceder a mais um beijo apaixonado.
O céu parecia uma aquarela onde várias cores se misturavam formando uma bela gravura abstrata. Hermione não fazia idéia de quanto tempo estava ali e de repente se deu conta de que Minerva devia estar profundamente aflita; E ainda tinha Maysie! Não havia visto a filha ainda naquele dia e isso fez sua consciência pesar um bocado, despertando-a para a realidade.
-Eu preciso ir! - declarou a moça já se levantando.
-Não vá! Fique comigo! - ele pediu beijando-a novamente.
- Tenho que ir! - disse a garota se desvencilhando do abraço.
-Então eu levo você! - disse Draco mostrando que não estava disposto vê-la fugir novamente.
-Não! Eu vou sozinha! - falou decidida.
-Você não sairá daqui até me prometer que nos veremos amanhã! - disse o loiro muito sério, segurando a castanha com força.
- O quê? - perguntou Hermione contrariada.
-Isso mesmo, senhorita Granger! Só partirá depois de uma promessa formal! Irá me encontrar amanhã! - começou Draco.
-Eu não…
-Você ainda me deve um encontro decente, lembra-se? - insistiu o loiro apelando para uma promessa feita há anos atrás que ainda não havia sido cumprida. - Apenas diga sim! - pediu lançando-lhe um olhar que parecia penetrar em sua alma.
- Esta bem! - falou a moça derrotada diante da própria fraqueza, fazendo com que um lindo sorriso se formasse na face do loiro, que a ajudou a levantar e a beijou antes de permitir que ela partisse.
Com aquela trégua, ainda que de forma inconsciente, Hermione acabava de aceitar em definitivo a presença de Draco novamente em sua vida.