Posted by Imogen on 11 17th, 2008


VI - Imprudência

Em meio a um salão repleto de convidados elegantes, dois rapazes pareciam ter desistido por completo de aproveitar a elegante festa. A alegria e os sorrisos cederam espaço a seriedade e apreensão; Os olhos corriam todo o perímetro do local em busca de qualquer sinal de uma garota que parecia ter desaparecido.

A ausência de Hermione não passou despercebida para Harry e Rony, que cientes de que ela havia deixado a festa na companhia de Draco Malfoy, permaneciam tensos e preocupados com as conseqüências dessa decisão.

-Hei, vocês dois! Que caras são essas? - quis saber Tonks. - Isso é uma festa e não uma missão do Ministério!

-Tonks, Hermione falou com você antes de ir embora? - perguntou Rony preocupado.

-Não… Ah! Então é isso! Acalmem-se, rapazes!Mione é adulta e além do mais já estava mais do que na hora dela se entender com Draco. - falou tranqüila.

- Ela pode ter problemas! Malfoy… - começou Harry.

-Me perdoe, Harry! Mas Draco está apaixonado por Hermione, aliás, ele sempre foi apaixonado por ela e não lhe causaria nenhum mal! - defendeu a auror. - Vamos! Parem de se preocupar… Hermione está muito bem, além disso, Luna e Gina estão procurando vocês!

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De olhos fechados, flutuando no espaço foi difícil compreender o quê aquela sensação de súbito desconforto significava. Em um segundo estava nos braços do homem que há muito lhe parecia inatingível, em outro seguia em um abismo profundo, sendo arrebatada por um súbito desconforto, para em seguida reencontrar o beijo que ele se recusava a interromper.

Onde estava, quem era, o que fazia… Tudo se tornara completamente irrelevante, se ele estava novamente ao seu lado. O desejo queimava como brasa sobre a pele e o ar havia se tornado algo completamente dispensável. Mãos corriam a pele com desespero, como se, além do toque, quisessem garantir a proximidade… O mundo havia se tornado um lugar perfeito e pertencia somente aquele casal que esperou tanto tempo para se reencontrar.

O local estava escuro demais para que Hermione o identificasse, mas Draco se movia com total segurança, denunciando a familiaridade com o ambiente. As emoções se tornavam cada vez mais intensas e prevendo que não conseguiria se conter por muito tempo, o loiro tomou Hermione em seus braços e sem muito esforço a carregou nos braços até um dormitório ricamente decorado, deitando-a sobre lençóis de cetim.

Somente ao sentir o peso do corpo de Draco sobre o seu, Hermione se deu conta de que permanecia acordada e que tudo o que estava vivendo desde o momento em que o viu no baile, nada mais era do que a pura realidade. Seu sonho havia se tornado real; Novamente podia ver a paixão nos olhos dele, olhos que sempre amou… Mas será que ele ainda poderia amá-la da mesma maneira depois de tudo? Aquele pensamento, fez com que uma sensação de insegurança se espalhasse por sua mente, automaticamente refletindo em seu corpo.

Já não havia praticamente nenhum traço de racionalidade na mente de um rapaz que acreditava sentir pela primeira vez na vida a força de um sentimento, que até então, julgava completamente desconhecido: a paixão. De repente, se deu conta de que precisava daquela mulher como seu corpo precisava de ar ou de água; Tê-la para si, já não era um mero desejo, era vital… Porém, apesar da febre que queimava seu corpo, não pôde continuar, ao senti-la enrijecer em seus braços.

Por alguns segundos, olharam-se nos olhos e ousando apostar todas as suas fichas, Hermione seguiu o impulso de seu coração e acabou por confessar:

-Estou com medo… - falou num fio de voz.

-De mim? - ele perguntou com a voz amena.

-De mim. - ela respondeu, arrancando um sorriso de Draco. - Eu também sinto medo… Medo do que eu estou sentindo agora, e que sinto sempre que me aproximo de você; Mas sabe do que eu tenho mais medo? De não poder sentir isso novamente!

-Draco, eu… - ela começou, mas ele não permitiu que ela continuasse.

-Diga apenas que irá me deixar amá-la. - pediu olhando firme em seus olhos e desarmando completamente a garota, que novamente se viu perdida em meio a um espelho de águas cristalinas.

Como resposta, apenas um beijo. Um simples toque e novamente todo do desejo se fez presente selando em definitivo a escolha dos dois.

Draco a beijou de leve, saboreando apenas o contato dos lábios, sentindo um gostinho salgado de lágrimas e um sabor doce de amor e ternura, o beijo continuou, interminável, aquecendo os corpos. Ela se esticou, colou-se a ele, beijando-o com o seu corpo também. Logo estavam completamente entregues a paixão e sentindo-se completamente arrebatado por aquelas “novas” emoções, Draco foi novamente lançado a um mundo de lembranças surpreendentes:

Cena resgatada da Ascensão:

“Já não era preciso falar, cada beijo, cada toque deixava claro que um pertencia somente ao outro e que pra sempre seria assim. Naquele momento não existia nada além do sentimento que compartilhavam. Já não havia limites e ambos agradeciam por isso.

Pouco a pouco, Draco deslizou seus lábios pelo pescoço de Hermione, fazendo com que suas pernas começassem a fraquejar. Estava encantada com as novas sensações que seu corpo começava a experimentar e desejou poder retribuir. Lentamente a menina moveu suas mãos e começou a tocá-lo. Braços, costas, abdômen… Era como novo um jogo: ele a tocava, ela retribuía.

A cada novo ponto explorado o perigo aumentava. Mas ela recuava e nem demonstrava medo, deixando o rapaz encantado. As sensações se tornavam cada vez mais intensas e por um segundo, num esforço sobre-humano, Draco conseguiu se separar da garota e a olhou profundamente nos olhos como se perguntasse o que ela pretendia.

Ainda que tudo fosse silêncio, Hermione entendeu perfeitamente aquele olhar e mesmo que nada disso estivesse em seus planos, não teve dúvidas sobre qual seria sua resposta e por isso, respondeu da maneira mais clara disponível naquele momento, arrancando a camisa que o loiro vestia e voltando a beijá-lo tão intensamente quanto antes”.

“Essa não é a primeira vez!” - ele concluiu surpreso, imaginando como seria possível que a mente pudesse esquecer uma sensação como aquela… Novamente nada fazia sentido, a não ser a imensa vontade de tomar aquela mulher em seus braços e fazê-la compreender que ela lhe pertencia, que sempre pertenceu e que não podiam viver separados por mais tempo.

Era ela a razão de tudo. Era ela a dama misteriosa de seus sonhos e agora que a tinha entregue em seus braços, não permitiria que ela se afastasse. Pouco a pouco, as revelações ocasionadas pela lembrança inesperada, fizeram Draco mudar. Já não estava ali o homem cheio de desejo e loucura, mais sim um homem tomado por algo bem mais além, algo que ele ainda não ousava nomear. Até porque isso já não importava.

Hermione teve todas as suas dúvidas dissipadas, no momento em que o sentiu se afastar e tocar sua face com cuidado e delicadeza. Naquele instante, pôde encontrar no olhar dele, o amor pelo qual ansiava há tantos anos. Ele lhe pertencia novamente.

Ambos tinham perdido a noção do tempo. Sem pressa, sem prazos
já não havia mais limites e barreiras, fundiram-se no abraço, formando um corpo só. E esse corpo aquecia, murmurava juras de amor eterno, agradecia e dava, ganhava e sorria. Meigamente o amor crescia com cada carinho, cada som e cada olhar.Só as lembranças boas do passado restaram entre eles. Todas as outras perderam a nitidez e desapareceram como a neblina da manhã aquecida pelo sol.

Após algum tempo, ainda que exaustos, ambos não ousavam dormir, permaneciam abraçados e com as mãos enlaçadas.

- Por que fugiu de mim durante tanto tempo? - ele perguntou enquanto fazia com que ela descansasse a cabeça sobre seu peito.

-Porque você me esqueceu… - respondeu com uma ponta de tristeza.

-Eu nunca esqueci você!Perdi parte das minhas lembranças, mas não houve uma noite nos últimos anos em que eu não tenha sonhado com você… - disse, enaquanto a puxava para mais um beijo.

De novo os corpos se uniram, selando aquela união. Agora ele agia devagar e com cuidado, na harmonia dos movimentos, até ela gritar de prazer, descobrindo enfim os segredos divinos do amor. Mais tarde ele ficou admirando o corpo dela enquanto se vestiam. Já era quase meio-dia, mas ninguém tinha vindo perturbá-los. Hermione encontrou as sandálias e calçou-as, sentada na beirada da cama; Draco vestia a camisa devagar quando a porta do dormitório foi aberta bruscamente.

-Draco Lúcio Malfoy! - gritou Narcisa ao entrar no quarto do filho e supreende-lo na companhia de uma mulher.

Ao ouvir a voz de Narcisa e ao estrondo da porta que se seguiu, Hermione ficou paralizada e manteve-se sentada na cama com a cabeça baixa, de modo que os cabelos castanhos lhe ocultassem a face e apenas escutou a discussão.

-Mas o quê significa isso? Trouxe uma mulher qualquer para a minha casa? Onde está o respeito pela sua mãe! - reclamava Narcisa indignada.

-Essa também é minha casa, mamãe! E não há nenhuma razão para esse escândalo! - revidou Draco zangado.

- Não há razão? Pois fique sabendo que sua noiva está lá embaixo e por pouco não subiu para acordá-lo! Graças a Merlim! Pobrezinha! - falou Narcisa na intenção de tentar constranger mais ainda a moça.

-Eu não tenho noiva! Jamais tive! E agora, saia daqui, mãe! Depois eu converso com a senhora! - falou o loiro sem nenhuma paciência, ferindo a senhora Malfoy.

- O quê? Então ousa desrespeitar e destratar sua mãe dessa maneira por causa de uma…

-Como vai, Narcisa? - cumprimentou Hermione se erguendo e encarando a mulher de maneira desafiadora, que a olhava completamente surpresa.

-Hermione? - perguntou Narcisa ficando pálida.

- Vocês se conhecem?  - questionou Draco intrigado.

Silêncio.

-Isso não faz nenhum sentido! Como poderiam se conhecer se… - novamente a cabeça de Draco começava latejar.

- Vou embora! - declarou Hermione séria, mas por algum motivo estranho, não conseguiu aparatar. “Certamente não se pode aparatar aqui!” -concluiu nervosa.

-Não! Você fica! As duas vão me explicar o que está acontecendo! - declarou Draco sério.

- Não acredito que depois de tantos anos ainda queira atormentar meu filho! Essa mulher é uma aproveitadora, filho! Sempre foi! Ela não serve para você! - começou Narcisa, despertando a fúria da moça.

Parada no centro do quarto, Hermione perguntava a si mesma o que estava fazendo ali… O sonho havia acabado. Novamente uma imensa rede de intrigas se armaria e sufocaria tudo de bonito que havia entre ela e Draco. “Não devia ter vindo aqui…” - lamentava.

- Cale-se, mãe! Não sabe o que está falando! - bradou Draco furioso, fazendo com que Narcisa se lembrasse de Lúcio e imediatamente seus olhos ficassem cheios de lágrimas.

- Prefere acreditar nela… Vá em frente! Mas saiba que eu fiz de tudo para ajudar essa menina e em retribuição, ela o colocou em perigo! Quase morreu por causa dela! - falou magoada.  De não fosse por Pansy…

Aquela foi a gota d´agua para Hermione. Já não era uma criança e dessa vez não iria se calar.

- Sempre protegi Draco e sabe disso! - rosnou a moça com os olhos repletos de ódio.

- Você o deixou nas mãos de Bella! Pansy a enfrentou! - rebateu Narcisa.

-E você viu essa cena? Estava lá quando Draco foi ferido? - questionou Hermione, enquanto Narcisa se calou.

-Responda, mãe! Você viu o que aconteceu? - pressionou Draco.

- Todos sabem o que aconteceu, filho! Pansy salvou sua vida! - insistiu a mulher.

Já não era preciso dizer mais nada. Hermione estava novamente ferida e magoada com todas aquelas acusações e extremamente decepcionada com a hesitação de Draco, que definitivamente estava longe de poder compreender o que se passara. Mas não abaixaria a cabeça.

- Sabe, sempre tive curiosidade para saber o quê exatamente a fez acreditar que uma garota medrosa e uma bruxa mediocre como Pansy Parkinson poderia ter enfrentado e atingido Bellatrix Lestrange para salvar Draco… Ah! Mais não precisa me dizer! Certamente Bella se deixou atingir por uma sextaanista fraca inexperiente com prazer, já que ela tinha sangue-puro. Cada um faz suas escolhas e acredita no que deseja! Estava tão ansiosa para me ver longe do seu filho… Mas não se preocupe!Estou indo embora! Adeus! - disse Hermione se retirando do dormitório a passos largos.

-Hermione! - gritou Draco sentindo outra pontada.

Mas ela já não queria ouvir nada. Descia as escadas o mais rápido possível, quando Draco a alcançou, agarrando em seu braço.

-Já disse que você não vai embora! - falou o loiro zangado.

-Deixe-me! - exigiu a moça furiosa.

-Não enquanto tudo não for esclarecido…- começou o rapaz, quando foi interrompido por uma voz extridente.

-Draco! O quê essa sangue-ruim faz aqui? - gritou Pansy que assistia a tudo atônita.

- Minha mãe não tem motivos para mentir e nem para defender Pansy… - disse Draco, ignorando completamente as reclamaçõe e protestos da suposta noiva.

- Então eu estou mentindo? É isso? - quis saber a moça com o coração em pedaços.

- O que essa vagabunda mentirosa está fazendo aqui? Como pôde fazer isso comigo, Draco? Ficar com essa interesseira! - esperneava Pansy.

- A única vagabunda e mentirosa aqui, é você Parkinson! - berrou Hermione, preparando-se para dar um tapa certeiro no rosto da sonserina, quando sentiu seu pulso ser agarrado no ar.

- Não! - disse Draco sério.

Com isso, Hermione se viu obrigada a enfrentar uma realidade ainda mais cruel do que a que vivia antes. Draco se sentia atraido, mas não a amava. Não pode existir amor onde não há confiança e assim, ela era obrigada a admitir mais uma vez: não era pra ser.

Ainda que um tanto cega pelas lágrimas que insistiam brotar de seus olhos, se soltou de Draco e desceu correndo a procura do ponto em que aparatou com ele na noite passada, finalmente o atingindo e desaparecendo por completo.

Dilacerada pela dor da decepção, a castanha não ousou ir para casa e enfrentar os olhores de Minerva e Maysie… Não seria justo causar tanta dor e sofrimento a elas. Mas precisava e felizmente, sabia onde poderia encontrá-lo.

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Luna estava de pé, ainda vestida em um robe florido, com os cabelos um tanto desalinhados, presos em um coque; Havia se levantado há pouco mais de uma hora, ainda sentindo em seu corpo os efeitos da noite anterior.  Servia uma xícara de café para Rony, que apesar do adiantado da hora, ainda estava um tanto sonolento, quando seus olhos perderam o brilho e a mão perdeu a força, permitindo que o bule de porcelana caisse no chão, se partindo em mil pedaços.

- Rony, chame o Harry e a Gina! Ela está virá para cá e precisa de ajuda! - disse a loira.

- Do quê está falando, mulher? Quem precisa de aju… Hermione! Merlim eu sabia! - disse o ruivo já se levantando. - Eu disse ao Harry que aquele imbecil ia…

-Ronald, faça o que eu disse! - insistiu Luna, fazendo com que Rony fosse correndo até a lareira e chamasse a irmã.

Em  poucos minutos, Hermione chegava arrasada ao apartamento de Luna e encontrava os amigos reunidos a sua espera. Ninguém ousava dizer uma palavra sequer; A expressão no rosto da moça já falava muito alto. Sem hesitar, Harry caminhou até a amiga, a abraçou forte, para em seguida a conduzir até o sofá.

Luna trouxe uma xícara de chá, cuidadosamente preparada e tranquilizou a amiga dizendo que já havia enviado uma coruja para Minerva, avisando que ela estava bem que iria chegar em casa a noite. Rony estava furioso em ver o estado em que a amiga se encontrava. Sentiu que havia falhado em sua promessa de proteger Hermione e isso o atormentava. Esforçou-se para manter a cabeça fria, enquanto escutava inconformado a moça narrar o que havia se passado nas últimas horas.

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Na mansão Malfoy, o clima continuava péssimo. A cabeça de Draco latejava. Todo o esforço que havia feito para se lembrar de algo, havia sido completamente inútil; Ver Hermione desaparecer novamente lhe causou uma dor tão intensa, que ele imediatamente se arrependeu por não tê-la impedido.

Pansy estava histérica e repetia sem parar coisas horríveis sobre Hermione.

-Ela tentou me agredir, Narcisa! Se não fosse Draco… - falava com um sofrimento fingido.

-Já chega, Pansy! - gritou Draco, fazendo com que finalmente a garota se calasse.

Subiu as escadas depressa e se trancou no quarto, mas sabia que ali não encontraria respostas. Temia ter sido injusto com Hermione, mas ao mesmo tempo estava convencido de que Narcisa não tinha motivos para mentir; Precisava descobrir quem falava a verdade, precisava se lembrar… mas como?

Enquanto sua mente girava e seu coração se enchia de raiva e frustração, compreendeu que o único caminho seria encontrar alguém que presenciou os fatos. Imediatamente pensou no antigo mestre, porém a satisfação se extingui com a lembrança da promessa de silêncio feita por Severo Snape.

-Droga! - berrou o loiro esmurrando o espelho que decorava o quarto e ferindo sua mão.

A angústia de ter perdido novamente a chance de se sentir completo, fez com que Draco maldisesse o momento em que decidiu trazer Hermione para sua casa. Mas já estava feito. Ela se foi e provavelmente para sempre…- pensava o rapaz mirando os cacos de espelho espalhados no chão, enquanto o sangue corria em sua mão. De repente, lhe veio a mente a imagem de uma pessoa com a qual ele não falava há muito tempo…

Decidido, pegou um casaco e desceu as escadas rapidamente, aparatando em seguida.

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- Mi? Você chegou a falar sobre Maysie? - perguntou Gina com preocupação.

-Não! Por Merlim! Ele jamais saberá! - prometeu Hermione nervosa.

-Tudo bem… Ele não tem como saber! E não voltará a se aproximar de você! - garantiu Rony sério.

Enquanto Luna consolava Hermione, que chorava silenciosamente, Harry chamou a esposa para falar em tom reservado. Desde que Hermione, perdeu os pais durante a guerra, a relação dos amigos havia se tornado cada vez mais próxima. Formavam uma verdadeira família e naquele momento, mais do que nunca, Hermione precisava sentir isso… Por isso, uma decisão extrema foi tomada.

-Gina, quero que você e Luna tomem conta de Hermione. Eu e Rony precisamos resolver um assunto. - falou o moreno em tom de mistério.

- O que vai fazer, Harry? - perguntou a ruiva intrigada.

-Algo que deviamos ter feito há muito tempo… Mas não faça perguntas agora! Assim que puder, explicaremos tudo, eu prometo! - disse o rapaz, dando um rápido beijo na esposa e convocando Rony a acompanhá-lo.

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Muito longe dali, Ninfadora Tonks esforçava-se para tentar surpreender Lupin com um almoço delicioso, mas não parecia estar tendo muito sucesso com seu omelete… Praquejava com os legumes que acabaram por ficar murchos,  quando se deu conta de uma visita completamente inesperada.

- Draco? - exclamou surpresa ao ver o rapaz entrar na sua cozinha.

-Será que podemos conversar? - pediu o loiro um tanto sem jeito.

-Claro que sim! - falou a auror com um imenso sorriso, que não foi retribuido, alertando-a para o que viria.

Draco tentou ser o mais direto possível e disse a prima que precisava saber extamente o que havia acontecido. Mas a reação de Tonks não foi nem de longe, a que ele esperava.

- Sinto muito, primo, mas não tenho como ajudá-lo! - declarou a moça para a decepção de Draco.

- Você esteve lá! Sabe o que aconteceu! Precisa me contar! - argumentou o loiro nervoso.

- Não importa o que eu diga para você, Draco! Nunca se convencerá e nem conseguirá tomar minhas palavras pela verdade… - explicou com calma.

-Por favor, Tonks! Preciso me lembrar! - insistiu o rapaz, fazendo com que a moça, suspirasse profundamente.

-Ok. Vou tentar fazer algo… Venha comigo! - disse a auror aparatando junto com o primo.

- Reconhece esse lugar? - perguntou  a moça.

-Sim. È a casa de campo da minha família. - respondeu Draco sem emoção.

- Venha, há um lugar aqui que você deve ver… - falou Tonks, conduzindo Draco até a porta da biblioteca.

Diante daquela porta, lhe veio a mente a amarga lembrança do momento em que perdeu Hermione pela primeira vez:

Cena resgatada da Ascensão:

“Draco Malfoy descia as mesmas escadas numa velocidade absurda, chamando pela garota; Em vão, o jovem sonserino tentou entrar na biblioteca, mas a agora a porta parecia lacrada por magia. O rapaz conhecido por sua frieza apresentava um grau de descontrole jamais visto, despertando a atenção de todos. Esmurrava a porta incessantemente, até o momento em que esta se abriu.

- Não fique assim filho… Essa era a única solução! - disse Narcisa tentando consolar Draco.

- Não se aproxime de mim! - disse o loiro repelindo o toque de sua mãe e se dirigindo para a prima. - Tonks para onde ela foi? Diga por favor! Precisamos trazê-la de volta! - pedia o rapaz com os olhos marejados e a voz trêmula.

- Draco… Eu também queria que ela permanecesse conosco, mas ela decidiu partir e esse foi um gesto de muita coragem. - começou Tonks.

- Ela não vai conseguir sozinha! Será que vocês não entendem isso? Bella irá destruí-la! - gritou descontrolado, despertando a atenção de todos.

- O que está acontecendo aqui? Onde está Hermione? - perguntou Harry se aproximando do grupo.”

A cabeça latejava, a vista escurecia e a voz de Tonks estava cada vez mais distante. Finalmente, tudo estava de volta… O treinamento, as missões e os dias de angústia.

Com a varinha nas mãos, Draco preparava-se para deixar definitivamente a Ordem de Fênix, quando um pequeno pacote, cuidadosamente adornado por um laço de fita azul, chamou sua atenção. Esquecido sobre a mesinha, o presente de Hermione ainda esperava ser aberto.

Ao tocar no embrulho, o coração do jovem sonserino voltou a se contrair de forma tão intensa, que por alguns segundos pensou em deixá-lo ali, da exata forma como se encontrava; Mas logo mudou de idéia. Precisava ver o que Hermione havia deixado para ele. Desfez o laço e rasgou o papel deparando-se com uma pequena caixa de vidro que parecia conter um jardim; Estreitando os olhos azuis, o rapaz pode ler uma delicada inscrição na tampa de vidro “jardim de pensamentos”. Não compreendeu a princípio, mas ao retirar uma pequena flor, percebeu que esta vinha acompanhada de um pequeno pergaminho, contendo um pensamento. Olhou com mais atenção e percebeu um bilhete junto a fita que adornava o pacote.

“A sabedoria é um adorno na prosperidade e um refúgio na adversidade.” Junto a cada flor, você poderá encontrar conselhos e palavras sábias de grandes homens que pertenceram ao meu mundo…

amor

H.J.G”

- Hermione se sacrificou por mim! Ela disse que me amava e que iria embora para que eu pudesse ter uma chance! Bella a torturou e eu fugi para ajudá-la! Dias e noites na floresta, buscando horcruxes… Harry Potter, Rony Weasley, Neville Longbotton - eles também fugiram! - falava para si mesmo.

- Vem comigo, Draco! Você precisa se sentar! - falou Tonks ciente da pressão que o rapaz suportava e o conduzindo até uma confortável poltrona.

“Retornou para o acampamento buscando tranqüilidade para renovar suas energias, mas acabou tendo uma grande surpresa. Sua tenda estrategicamente organizada para aquela missão, havia se transformado em uma bagunça generalizada. Roupas, sapatos, maquiagens, perfumes, escovas por toda parte… Não era possível sequer visualizar sua cama ou a pequena mesinha com as preciosas anotações de Snape.

- Mas o que é isso? Minha barraca foi invadida por um bando de patricinhas sem shopping ou quê? - berrou indignado, fazendo com que as culpadas não tivessem outra escolha senão se apresentar e admitir a culpa.

- Desculpe, Malfoy! Foi apenas um pequeno erro de cálculos! - começou Gina.

- Erro de cálculos? - perguntou o loiro pegando com certo nojo uma escova repleta de fios de cabelos jogada sobre seu travesseiro.

- Pensávamos que este era o acampamento de Harry, Rony e Neville… - justificou Lilá tentando amenizar a situação.

- E essa bagunça? Alguém pode me explicar o que significa isso! - ralhava o sonserino furioso em ver suas coisas completamente perdidas em meio a tantos cosméticos.”

- Gina e Luna! Elas não mentiram! Éramos amigos!  - repetia chocado.

-Sim, é verdade! - confirmou Tonks.

- Mas Pansy não vivia conosco! - falava exaltado.

- Ela veio depois que você já havia partido, mas não se preocupe… Você mesmo irá se lembrar de tudo! Agora devemos voltar! Você precisa descansar! - disse Tonks retornando a Londres ao lado do loiro.

De volta a Londres, Draco decidiu que não voltaria para casa. Ainda estava muito confuso e não desejava ver Narcisa e nem Pansy. Andando sem rumo pela cidade, reencontrou a pracinha em que costumava brincar quando criança. Sentindo-se sufocado, sentou em um banco e tentou ordenar as idéias em ordem.

Agora seu coração se encontrava novamente repleto de paixão e desejo por uma garota que provavelmente nunca mais desejaria vê-lo. Agora as palavras de Narcisa já não faziam qualquer sentido… Hermione nunca o colocou em perigo e se Pansy realmente tivesse salvado sua vida, continuaria sendo grato, porém ele estava completamente comprometido, sempre esteve!

Enquanto observava a dança de cores do entardecer, decidiu que já não precisava saber de mais nada. Iria procurar Hermione e começar uma nova vida ao seu lado, exatamente como deveriam ter feito desde o início. Mas para isso, seria preciso descobrir seu paradeiro e aquela certamente não seria uma missão nada fácil.

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